O meu dia

23 jun

No dia do aniversário a gente sempre fica mais reflexivo. Ri, chora, tem vontade de ficar sozinho, depois quer todo mundo perto. Recebe cartões, mensagens, telefonemas, beijos, abraços, carinhos e presentes. 

Quando eu era pequena, adorava fazer festa de aniversário, mas sempre batia aquele medo de ninguém da escola aparecer. Eu nunca fui popular, nem super extrovertida. Acho que era até bem tímida. Não jogava bem vôlei, nem basquete, nem handball, nem futebol. Acho que sempre fui meio mal humorada – talvez um pouco fechada -, não ria das piadas bobas dos outros, nem fazia (ou conseguia fazer) piada, não era de falar muito, preferia sempre observar a agir.

Mas minha mãe –  lembro direitinho – estava sempre me apoiando, me incentivando a fazer amigos, e se esforçava ao máximo para promover as festas do jeito que mais me agradasse. E meu pai sempre liberava o que a gente queria! Coitados, eu acho que eu era (ou ainda sou?) chata pra caramba! Já a família, essa não faltava nunca às comemorações – a lista de convidados sempre partia do mínimo de 20, como acontece até hoje.

Depois de alguns tombos e aprendizados na adolescência, fui me sentindo mais segura, me soltando mais, me aceitando melhor, gostando mais de mim mesma e conquistando a liberdade e a independência que sempre busquei. A profissão que escolhi me ajudou muito a liberar meu lado “comunicativo”, “cara-de-pau”, “político” e “aventureiro”, e hoje sinto que tenho muito menos barreiras para fazer o que preciso e o que quero.

O marido que escolhi, a filha que tive e as mudanças recentes no meu estilo de vida também me ajudaram a conseguir tudo isso. Me tornaram uma pessoa mais aberta, extrovertida, com menos preconceitos e talvez (espero) mais divertida. E, sem dúvida, mais livre e capaz de executar tudo com independência e mais segurança. 

 

Continuo observando mais do que falando, tendo pouco senso de humor, não sabendo contar piada, sendo às vezes dura por ser sincera demais, me esforçando para ser uma pessoa mais agradável e para superar minhas inseguranças. Mas me sinto mais feliz. Muito mais feliz. Ainda tenho medo de errar, mas quem não tem? Só que o medo não pode impedir a gente de tentar acertar.

Hoje não tenho 20 e poucas pessoas da família para cantar parabéns comigo. Muito menos 20 e poucos amigos. Não tenho meu pai, minha mãe e meu irmão aqui. Não tive isso também no ano passado. Mas estou feliz. Já ganhei vários presentes especiais este ano, dentre eles o mais especial: o meu filho Bruno, que trouxe para a minha vida mais alegria, esperança e amor. E vou cantar parabéns com ele, a Gigi, o André e a Fê. E quem sabe mais alguém que se juntar a nós pelo skype! E não vou ter medo de ninguém aparecer para a festa.

 

 

2 Respostas to “O meu dia”

  1. Avatar de Roberto Mercante
    Roberto Mercante junho 24, 2014 às 7:32 am #

    Caramba Nata, você sempre com um depoimento emocionante e verdadeiro. A busca do autoconhecimento pode ser dura, mas imensamente gratificante. Parabéns, felicidades e principalmente FORÇA pra continuar essa busca, provedora de uma das maiores riquezas da vida e que jamais alguém poderá te tirar de qualquer um de nós. Bjs Beto

  2. Avatar de marcela
    marcela junho 25, 2014 às 5:51 pm #

    Eu acho que a maior conquista da maturidade é ser sem precisar ser, é não depender da aceitação do mundo, dos aplausos, tendo a alegria secreta de estar fazendo o melhor. Você está crescendo por dentro, e isso é maravilhoso! parabéns! Marqui

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