Nos últimos 3 ou 4 anos aprendi o verdadeiro valor dos amigos. Tendo crescido numa família grande, cercada por pai, mãe, irmão, primos, tios, tias, avô, avós, cachorro, periquito e papagaio, o tempo para os amigos acabava ficando curto demais. Os compromissos com a família eram sempre muitos, afinal toda semana tinha aniversário, formatura, batizado, casamento, chegada ou despedida de alguém, depois Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Natal, Reveillon… E assim mais um ano se passava, e começava tudo de novo. E a família estava sempre lá, para o que desse e viesse, nas horas felizes e tristes, te apoiando e te salvando sempre.
Até que veio a mudança de país. Primeiro, a sensação de liberdade, independência, de finalmente fazer tudo do nosso jeito, de ter o nosso espaço, nossa casa, nossa rotina e nosso próprio planejamento de vida. Depois, o medo de enfrentar tudo sozinhos, sem o apoio de ninguém da família. O vazio dos finais de semana sem compromisso, a falta de alguém para compartilhar nossas conquistas, contar nossas aventuras e nossas histórias felizes ou tristes. Tudo novo, diferente, desconhecido. Se um filho ficasse doente, não ia ter nenhuma tia ou avó para ajudar a cuidar dele. Se um de nós, ou os dois, ficássemos doentes então, não ia ter mãe, tia ou avó que preparasse aquela canja de galinha especial. Quem nos salvaria, então?

Foi aí que percebi a importância dos amigos. Ah sim, os amigos! Novos, diferentes, desconhecidos, mas sinceros, solidários e cheios de amor para dar e receber. Amigos que nos trariam canja de galinha quando ficássemos doentes, amigos que carregariam nossa mudança nas costas quando fôssemos nos mudar para uma casa nova, que cuidariam dos nossos filhos quando precisássemos fazer coisas ou ir a algum lugar sem eles, que nos dessem dicas e nos mostrassem os caminhos mais fáceis de chegar aonde precisávamos, que nos dessem palavras de apoio e incentivo quando nos sentíssemos fracos e cansados, que nos fizessem companhia em nossos aniversários, Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Natal e Reveillon… E que também nos deixassem ajudá-los quando precisassem e nos recebessem em suas casas e festas de aniversário de braços e corações abertos e que, principalmente, nos fizessem aprender a respeitar as diferenças e a olhar e a cuidar mais do próximo.
Amigos que são, hoje, a nossa nova família! Que preenchem boa parte da nossa alma e diminuem imensamente a saudade constante que sentimos da nossa família, mas que também aumentam a saudade dos nossos amigos de infância, adolescência e trabalho, que viveram centenas de momentos especiais conosco e que gostaríamos muito que estivessem ao nosso lado de novo.
Ah, os amigos…
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