Escolhas

8 dez

A gente faz escolhas o tempo todo, das mais banais às mais complicadas. Às vezes a gente escolhe uma coisa simplesmente porque gosta, tem vontade. Outras vezes, a gente acha que aquilo é o que deve ser feito, é o certo ou vai ser bom para o nosso futuro. Tem vezes também que a gente faz uma escolha para agradar alguém, ou ainda porque, comparando com as outras opções, aquela é a melhor. E, finalmente, tem os casos em que a gente faz uma escolha por não ter outra opção.

Mas todas as escolhas acabam trazendo aquela pontinha de dúvida: será que ela foi realmente a melhor? E se eu tivesse escolhido a outra, ou simplesmente decidido ficar com o que já tinha antes, será que teria sido melhor ou pior?

O cérebro tem um mecanismo de autodefesa que nos faz desenvolver argumentos para nos convencer – e convencer os outros – de que a escolha que fizemos foi realmente a melhor. E funciona: isso realmente faz a gente se sentir melhor – ou menos culpado – e até esquecer de que poderia ter feito outra escolha. Mas tem escolha que teima em ficar lá, no fundinho do nosso pensamento, querendo toda hora que a gente lembre dela.

Esses dias mesmo eu pensei nos meus bisavós, que nem mais vivos são e que imigraram há não sei quantos anos – mais de 100, com certeza – da Europa para o Brasil. Às vezes também penso nos refugiados dos países em guerra. Será que eles se perguntavam se tinham feito a escolha certa quando decidiram imigrar para outro país? Ou será que foram por não ter mesmo outra opção? Ou por achar que aquilo seria bom para o futuro, o mais correto a fazer?

Será que eles morriam de saudade de quem deixaram para trás, das comidas e dos lugares que mais gostavam? Será que se sentiam culpados, tinham algum medo? Ou será que a vontade de fugir da guerra, da pobreza, de ter uma vida melhor e, principalmente, proporcionar um futuro melhor aos seus descendentes, supria tudo isso?

E, no final da vida, ou de alguma etapa da vida, será que acharam que a escolha valeu mesmo a pena ou se arrependeram dela, mas não contaram para ninguém?

Eu tenho medo. Medo de fazer a escolha errada e de não poder mais voltar atrás. E tenho saudade, muita saudade de quem deixei para trás.

 

 

 

Uma resposta to “Escolhas”

  1. Avatar de Silvio Savastano
    Silvio Savastano dezembro 8, 2015 às 4:55 pm #

    Filha , as coisas NÃO são deixadas para trás quando fazemo-las com vontade e decisão após grandes consultas interiores.
    A escolha está feita e , se necessário, pode ser modificada ao longo do tempo. Para isso, ele existe .
    A sua escolha está correta.
    Seu pai.

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