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Money money money

8 out

Demorou um tempo para eu gostar de alguns programas de TV do Canadá. Os telejornais, particularmente, são muito chatos e até hoje não consigo seguir nenhum diariamente – acho que tem a ver com o formato tão diferente do brasileiro… Parece que os links dos jornais daqui são fracos, tem muita informação misturada, poucas imagens e muito falatório.

Os commedy shows também não são – nem nunca foram – o meu forte, com algumas poucas exceções. Programas do tipo Myth Busters ou How it’s Made (que meu marido adora!) pouco me atraem. O que eu gosto mais são os programas que abordam temas do cotidiano, relacionamento, família, viagens, planejamento financeiro, negócios.

Um dos “shows” que tem me interessado bastante é o Money Moron (http://www.slice.ca/Shows/MoneyMoron/default.aspx), que inicialmente pode parecer bobo ou até deprimente, mas traz à tona uma série de assuntos relevantes para as nossas vidas. Resumindo, o programa trata de pessoas – geralmente casais – que estão endividados e pedem ajuda à consultora Gail, que é uma mulher durona, brava, sem papas na língua para dizer a verdade, doa a quem doer.

O objetivo de Gail é identificar por que o casal gasta mais do que ganha – o que em uma rápida olhada na casa ela já percebe, além de também analisar seus extratos bancários e faturas de cartão de crédito – e montar um plano de contenção de despesas e/ou aumento de renda para livrá-los da dívida em até três anos.

Slice_deluxe_Showsite_MoneyMoron

 

 

 

Mas o que chama atenção, em cada episódio, além das lições sobre finanças pessoais, são as mensagens de vida, reflexões que muitas vezes as pessoas nunca param para fazer. O programa enfoca muito, por exemplo, a importância de dar mesada aos filhos a partir de 8 anos – eles indicam dar 1 dólar por ano de vida, por semana, então no caso de uma criança de 8 anos ela receberia 8 dólares por semana.

Outro ponto bastante debatido é a necessidade do casal se comunicar, compartilhar o planejamento financeiro e também as atividades domésticas – ou seja, os dois precisam contribuir de alguma forma com a renda, os pagamentos e os trabalhos como limpar a casa, cozinhar, lavar, cuidar dos filhos etc.

Sobre consumismo, Gail dá a dica: “Quando você for comprar alguma coisa, pense se você realmente precisa daquilo ou se apenas deseja ter aquilo”. Nesse dia, o programa mostrou um casal em que a esposa era tão fanática por itens de decoração para casa, que ela chegava a gastar mais de 2 mil dólares por mês em cacarecos do tipo velas, candelabros, enfeites, xícaras decorativas… Quando ela recebeu o desafio de selecionar esses objetos separando os que ela realmente usava e os que apenas gostava de possuir, ela encheu dois quartos de coisas inúteis. Ou seja, milhares de dólares jogados no lixo!

Outra frase que me chamou atenção outro dia foi a seguinte: “Você merece ter tudo o que deseja, desde que seu dinheiro seja suficiente para pagar tais coisas”. Ou seja, pé no chão na hora de gastar, sem a ilusão de que financiar no cartão de crédito ou o com o banco vai sair de graça. Geralmente os juros cobrados são maiores do que a dívida em si.

Claro que tem algumas coisas da realidade e cultura do Canadá que não se encaixam na do Brasil, mas no geral acho o Money Monron bem educativo, sem contar que me ajuda a entender melhor o estilo de vida e o pensamento dos canadenses, que, afinal de contas, vivem num país bem mais desenvolvido que o Brasil.  Então, por que não aprender um pouco com eles?

8 de outubro vai ficar na memória

8 out

Dificilmente o dia 8 de outubro vai sair da minha cabeça.  Há exatamente um ano eu chegava a Toronto, que seria minha nova “casa”.  E, hoje, em 8 de outubro de 2013, meu sobrinho e futuro afilhado Lorenzo nasceu. Muita emoção!

Isso me faz refletir sobre mim, minha família e a vida como um todo: estar aqui, no Canadá, tendo uma experiência inexplicável e impagável ao lado do meu marido e minha filha, e ao mesmo tempo perder um momento tão especial como o nascimento de uma criança, filho do meu único e amado irmão, que chega ao mundo para trazer muita alegria e aprendizado àqueles que estão a sua volta.

Como eu me sinto? É uma mistura de felicidade, vontade de querer estar lá mas sem deixar de estar aqui…

Mas, graças aos “IT guys”, por quem tenho muito respeito, o skype existe e funciona muito bem!! E, assim, acordei hoje com a imagem do meu querido brother na sala de parto da maternidade e pude acompanhar todos os passos do nascimento do Lorenzo, ouvindo as vozes, vendo as imagens e o choro do pequeno ao sair da barriga da mãe. Demais!!! Está aí uma das vantagens de morar longe, pois aposto que, se eu estivesse lá na maternidade, teria ficado do lado de fora esperando poder ver o Lorenzo pelo vidro do berçário! Claro que depois eu poderia pegá-lo no colo e abraçar os novos papais, o que não vai acontecer agora, mas preciso me contentar com o que tenho nas mãos neste momento, certo?

Sobre a vida em Toronto depois de um ano, só tenho a agradecer a Deus pela oportunidade e pela proteção recebida durante todo esse tempo, além da compreensão e apoio da família e amigos. A temperatura na casa dos 15 graus do dia 8 de outubro de 2012 se repete um pouco mais amena hoje, 8 de outubro de 2013, mas não me põe mais medo e nem mesmo me faz usar cachecol, gorro, duas calças e casacão… Esses “acessórios” eu deixo para usar quando baixar dos 5 graus (e chegar a menos 20!).

Agora é seguir em frente, porque atrás vem gente e o tempo não para!