Toronto multinacional

27 mar

Esta semana eu estava pensando em como a cidade de Toronto pode reunir tantas nacionalidades diferentes. Às vezes nem parece que estou no Canadá, ou ao menos naquele Canadá que eu conheci uns 15 anos atrás, que parecia uma Europa só que povoada por americanos ou, como eu costumava dizer, era “um” Estados Unidos melhorado, pois parecia ser um país mais organizado, limpo, desenvolvido e com menos habitantes e pessoas muito bem educadas, em todos os sentidos. O Canadá de hoje – ou melhor, a Toronto de hoje – tem muito mais pessoas (algumas menos bem educadas do que outras, apesar de todas serem muito amigáveis), é um pouco mais bagunçado, apesar de ainda desenvolvido, continua lindo (e frio)… e tem muita, mas muita gente misturada. É só sair na rua, ou pegar um elevador, que você ouve várias línguas diferentes sendo faladas, roupas e estilos variados, cores e rostos dos mais diferentes que já vi.

Já me disseram que Toronto é a cidade do mundo que concentra a maior diversidade de nacionalidades – e acho que é verdade. Nesses quase 6 meses que estou vivendo aqui, conheci pessoas de pelo menos umas 20 nacionalidades diferentes, incluindo italianos, venezuelanos, iranianos, africanos, chineses, “sri-lankeses”, tailandeses, mexicanos, portugueses, japoneses, americanos, indianos, paquistaneses, filipinos… e por aí vai! Por outro lado, acho que dá para contar nos dedos o número de canadenses que conheci – incluindo os que nasceram aqui, mas têm pais estrangeiros.

Ontem, quando recebi a minha primeira edição da revista “Toronto Life”, minha teoria se fortaleceu (http://www.torontolife.com/magazine/2013/3/). A matéria de capa – que, cá entre nós, pode até ser taxada de racista – tem como título: “The End of White Toronto – How a new generation of mixed-race kids will transform the city”. Na reportagem, o jornalista Nicholas Hune-Brown, que é “metade inglês, metade chinês” conta como de 1990 para cá aumentou o número de crianças geradas por pais de diferentes nacionalidades, o que, 20 anos atrás, era raro. Na escola onde minha filha estuda, é a mesma coisa – aliás, acho que de 20 crianças, talvez 2 sejam canadenses ou filhos de canadenses; as outras são todas estrangeiras ou filhos de estrangeiros.

E o governo canadense continua incentivando a imigração, pois o país tem falta de mão de obra, principalmente para a área de construção civil, limpeza, manutenção etc. Ou seja, mais e mais pessoas de diferentes países devem continuar vindo para cá nos próximos meses. Isso me deixa mais tranquila em relação a ser uma estrangeira aqui, pois não há preconceito contra a gente. Mas ao mesmo tempo isso me preocupa… Será que o governo vai dar conta de manter os padrões de educação, limpeza, organização etc. com tanta gente de diferentes culturas vindo para cá?

 

Uma resposta to “Toronto multinacional”

  1. Avatar de Andre
    Andre abril 5, 2013 às 11:36 am #

    Excelente texto Renata! Parabéns! Sobre a pergunta se o governo vai dar conta de manter a qualidade, minha impressão é de que não… Para mim é um caminho sem volta. A qualidade de vida vista por aqui anos atrás, como você mencionou, é muito “cara”, exige muita disciplina e estrutura familiar bem “forjada”, coisas que infelizmente não acompanham a maioria dos imigrantes que chegam por aqui. Além disso, minha opinião e de que essa bela característica do Canadá de ser um país “democrático” com todas as culturas e religiões também vai contra a unidade e padrões vistos décadas atrás. Bom, de qualquer forma, espero estar errado, vou continuar torcendo para que as coisas melhorem sempre e mesmo com tudo isso continuo admirando esta cidade e este país.

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