Toronto fica mais triste no inverno. De manhã, o sol ainda aparece tímido e as ruas parecem estar mais vazias – não sei se muita gente está de férias ou se está usando mais o PATH (caminho subterrâneo) para fugir do frio, – mas o fato é que fica tudo mais sombrio. O dia clareia só por volta das 8h da manhã e lá pelas 17h30 já está escuro outra vez. A gente acaba tendo sono cedo e muitas vezes vai dormir antes das 21h. O bom é que daí dá para acordar bem cedinho e fazer mais coisas antes de começar a trabalhar.
Eu ando pelos dois caminhos em Toronto – a rua e o PATH – e esta semana tenho sentido o peso do inverno um pouco mais forte sobre mim. Talvez porque eu tenha acabado de voltar das férias de final de ano no Brasil, onde o clima estava super quente e onde vivi momentos intensos com familiares e amigos. Daí fica estranho me ver num lugar frio, com poucas pessoas conhecidas. Fica um vazio no peito…
Mas, de qualquer forma,tenho que admitir que as pessoas em Toronto continuam muito amigáveis. Do porteiro do prédio, passando pelos vizinhos, pessoas com quem cruzo na rua, professoras da escola, todos são muito educados, solícitos e atenciosos. Não tem um dia que alguém não me ofereça ajuda para levar o carrinho da minha filha, abrir portas, segurar o elevador e outras coisas assim.
A moça que entrega o jornal 24 hrs continua na mesma esquina e todos os dias me dá bom dia e pergunta como estou. O senhor simpático de olhos azuis que passou dezembro todo pedindo dinheiro, na mesma esquina, não está mais lá… Mas a recepcionista da dental clinic que fica no prédio da escola da minha filha está, e ontem me reconheceu e me chamou para entrar, perguntou como foi minha viagem ao Brasil e mostrou, mais uma vez, os peixes do seu aquário para a Gigi.
As calçadas, apesar da neve que vai se juntando nas sarjetas, continuam lisinhas e fáceis de caminhar. As portas automáticas dos prédios continuam funcionando, os elevadores e semáforos, também. Tudo funciona perfeitamente por aqui.
Realmente, esta cidade é muito boa, tenho que admitir. Mas, como diz meu marido, se pudéssemos trazer todas as pessoas que gostamos para cá, ficaria ainda melhor.

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