Dor

8 jan

Eu sei, minha filha não é a primeira nem será a última a chorar para ir à escola, mas precisa chorar tanto, me olhar como se estivesse dizendo: “mãe, me salva dessa situação!”? Daí a mamãe aqui, que é super manteiga derretida, chora junto e piora ainda mais a situação. As professoras, super compreensivas, me consolam dizendo que outras crianças também choram, mas que logo que os pais vão embora elas param, que eu não preciso me preocupar. Além do que – continua a professora – mais cedo ou mais tarde seu “bebê” vai crescer e terá que ir à escola por bem ou por mal, então é melhor que se acostume desde já.

Tá bom, concordo com tudo isso e sei que o melhor para ela é ficar com outras crianças, para interagir, se sociabilizar etc. etc. e tal, e eu preciso trabalhar, mas mesmo assim me sinto culpada por fazê-la chorar.  Afinal, estamos num país novo, longe dos nossos familiares e amigos, com costumes e comidas diferentes, uma língua que não é a nossa… Não é muita informação para um pequeno ser de 2 anos de idade?

Pergunto para a professora se tem outras crianças que também não falam inglês na classe dela, e ela diz que tem mais uma menina só –são 10 alunos na classe, entre 2 anos e meio e 5 –, mas que não falar inglês não é problema para as crianças, pois elas não precisam falar a mesma língua para brincar. “E, além disso, em poucos meses ela vai estar falando tudo, você vai ver, mamãe.”

Ok, a Gigi já entende um monte de coisa em inglês, percebe os gestos, canta as musiquinhas e tudo mais. Mas e a frustração de não ser compreendida? De pedir água e ninguém a entender, de pedir colo e inguém a ouvir? Ai, meu docinho de coco, será que tudo isso vai realmente fazer de você um adulto melhor?

E assim tiro minha filhota dos meus braços, ela se agarra nos meus cabelos e emplora para eu não deixá-la, mas eu sou forte e saio, chorando baixinho e já enxugando as lágrimas para que niguém lá fora perceba minha dor.

2 Respostas to “Dor”

  1. Avatar de Roberta Magda Mercante
    Roberta Magda Mercante janeiro 10, 2013 às 1:23 pm #

    Nata, eu sei como vc se sente, o Dedé era igualzinho, e olha que a gente nunca mudou de País! Eu nem sei como sobrevivi a todas as choradeiras dele, eu tb chorava junto e mtas vezes trazia ele de volta pra casa, mas aqui sempre tinha alguém pra me ajudar, ficar com ele um pouquinho. Só sei que ele foi crescendo, chorando menos, sendo levado pra longe de mim um fim de semana sim, outro não, e o sofrimento foi mudando, diminuindo e se transformando, e me transformando tb.

  2. Avatar de Sílvio Savastano
    Sílvio Savastano janeiro 10, 2013 às 3:36 pm #

    Minha filha, como é que vc acha que chegou onde está hoje, editando um blog?
    Foi à custa de muita choradeira, sacrifício, auxílio, companhia de pessoas da família e de
    outras de quem nunca se esperava nada, nem uma palavra !
    A vida se apresenta assim como é: parece ser indecifrável, injusta, mas também é incom-
    parável, pois traz a alegria de termos a oportunidade de podermos ter gerado uma filha e,
    em consequência, uma neta, das quais podemos nos orgulhar !
    F O R Ç A !!!

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