Arquivo | 10:52 am

Dor

8 jan

Eu sei, minha filha não é a primeira nem será a última a chorar para ir à escola, mas precisa chorar tanto, me olhar como se estivesse dizendo: “mãe, me salva dessa situação!”? Daí a mamãe aqui, que é super manteiga derretida, chora junto e piora ainda mais a situação. As professoras, super compreensivas, me consolam dizendo que outras crianças também choram, mas que logo que os pais vão embora elas param, que eu não preciso me preocupar. Além do que – continua a professora – mais cedo ou mais tarde seu “bebê” vai crescer e terá que ir à escola por bem ou por mal, então é melhor que se acostume desde já.

Tá bom, concordo com tudo isso e sei que o melhor para ela é ficar com outras crianças, para interagir, se sociabilizar etc. etc. e tal, e eu preciso trabalhar, mas mesmo assim me sinto culpada por fazê-la chorar.  Afinal, estamos num país novo, longe dos nossos familiares e amigos, com costumes e comidas diferentes, uma língua que não é a nossa… Não é muita informação para um pequeno ser de 2 anos de idade?

Pergunto para a professora se tem outras crianças que também não falam inglês na classe dela, e ela diz que tem mais uma menina só –são 10 alunos na classe, entre 2 anos e meio e 5 –, mas que não falar inglês não é problema para as crianças, pois elas não precisam falar a mesma língua para brincar. “E, além disso, em poucos meses ela vai estar falando tudo, você vai ver, mamãe.”

Ok, a Gigi já entende um monte de coisa em inglês, percebe os gestos, canta as musiquinhas e tudo mais. Mas e a frustração de não ser compreendida? De pedir água e ninguém a entender, de pedir colo e inguém a ouvir? Ai, meu docinho de coco, será que tudo isso vai realmente fazer de você um adulto melhor?

E assim tiro minha filhota dos meus braços, ela se agarra nos meus cabelos e emplora para eu não deixá-la, mas eu sou forte e saio, chorando baixinho e já enxugando as lágrimas para que niguém lá fora perceba minha dor.