Arquivo | janeiro, 2013

Ontario Science Centre

29 jan

No inverno aqui em Toronto a gente fica inventando coisas para fazer em casa ou passeios a locais fechados. Sair na rua, só se for para virar pinguim…

No último sábado, fomos conhecer o Ontario Science Centre, que é um museu da ciência super interativo. Lá tem um andar com atividades próprias para crianças, mas é diversão garantida para todas as idades. Vale a pena passar o dia lá, se você tiver crianças – dá para almoçar e já partir para a aventura, com direito a sessão de cinema Imax, que é a mais nova tecnologia em filmes para cinema. Para quem nunca viu, o teto da sala tem formato arredondado, então a tela se estende até acima da sua cabeça, dando a sensação de que você está dentro do filme.

Só uma dica para quem tem filho pequeno: o cinema Imax pode causar medo nos pequenos, pois é como se fosse um daqueles brinquedos simuladores que tem na Disney e, dependendo do filme, as crianças ficam assustadas – eu tive que sair da sala, no meio do “Under the sea”, pois a Gigi ficou com medo do peixe-sapo que comeu um peixinho amarelo…

De resto, no museu, você pode ver de perto um balão sendo inflado com ar quente, subindo e descendo, após o ar esfriar; uma máquina que tira uma foto sua e permite que você brinque, colocando um olho, uma boca ou um nariz de outra pessoa no seu rosto; máquinas de costura e com formas para fazer seu próprio sapato, entre dezenas de outras coisas mais.

O site do museu é http://www.ontariosciencecentre.ca/

Lá você pode fazer um tour virtual, ver os horários de funcionamento, preços, endereço e tudo mais.

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It’s real winter!

23 jan

20 graus negativos está bom pra dizer que agora realmente estamos no inverno em Toronto? Sim, esta foi a temperatura que bateu hoje de manhã quando saí de casa para levar a filhota para a escola. Não estava nevando, mas como nos dois dias anteriores nevou, as ruas estavam todas cheias de lama e restos de sal grosso, que é usado para não deixar a neve acumular nas calçadas. Resultado: o hall de entrada do meu apartamento ficou todo sujo de pegadas de neve e gelo derretido do carrinho de bebê!

Mas eu nem senti tanto frio assim lá fora… Acho que quando fica abaixo de zero é tudo mais ou menos igual… A Gigi, pelo menos, não estava nem aí pro frio, foi cantando no caminho da escola – sim, ela já se adaptou novamente e tem ido feliz agora para a escola! –  e ainda ia apontando e dizendo: “Mamãe, a neve!”

Mas às vezes me sinto num sonho, é como se eu ainda não estivesse ciente dessa realidade do inverno. Fico olhando as ruas e jardins cobertos de neve e gelo, as pessoas na rua – e eu mesma – cheias de acessórios de frio, andando meio duras por conta de tanta roupa, e me dá vontade de rir delas e de mim mesma. E daí penso, de novo: ok, está muuuuuito frio, um frio que eu nunca imaginei vivenciar na vida, mas é administrável, então ok, podemos viver aqui sim!

Agora também já não tenho mais a sensação de que as pessoas estão mais tristes porque é inverno. Acho que é tudo uma questão de se acostumar e curtir o lado bom de cada situação, buscando sempre coisas que nos façam felizes.

Frio, aventuras na rua e crianças

18 jan

Foi só eu falar e pronto: hoje está 10 graus negativos em Toronto, com sensação de -17! Fiquei com tanto medo de passar frio de manhã, que saí com uma malha embaixo do casaco e um treco de lã que comprei para cobrir o pescoço e o rosto. Resultado: voltei para casa suando! É que andando na rua, a gente não sente frio (só mesmo no rosto), porque está em movimento. O duro é ficar parado esperando o semáforo abrir ou então, se começa a ventar, daí o bicho pega.

Ainda não escorreguei na rua – dizem que todo mundo escorrega no gelo uma vez na vida, mas comprei super botas anti-derrapantes e à prova d’água, vamos ver se funcionam mesmo…

A Gigi, coitada, fica parecendo um boneco de neve dentro do carrinho, ainda mais porque tem estado mal humorada na hora de ir pra escola – fica com a cara fechada, super séria, dentro do “stroller blanket”, de luvas, gorro e casaco fechado até o pescoço. Mas pelo menos fica super quentinha! Sempre tem alguém na rua que passa e comenta que queria ser criança para poder ir no carrinho todo quentinho, mas ela nem responde, porque precisa manter a cara de brava rs.

Aliás, as crianças são realmente muito interessantes de se observar e conviver. Com 2 anos e meio já sabem fazer ironia, ficam emburradas e não caem em qualquer conto do vigário… parecem adultos em miniatura! A Gigi, por exemplo, faz trocadilhos com letras das músicas – hoje cedo estava ouvindo “If you’re happy and you know it, clap your hands”, mas ela cantava “E-I-E-I-O”, que é o refrão da “Old Mc Donald had a farm, E-I-E-I-O” e olhava dando risadinha.

Quando falei que precisávamos nos trocar para ir à escola e que, como hoje era sexta-feira, eu poderia levá-la na loja de brinquedos no fim da tarde, caso ela não chorasse para ir à escola, e compraria o coelho Max de pelúcia que ela tanto queria, ela respondeu: “Não qué Max, mamãe”. Traduzindo: “Não quero ir à escola, mamãe”.

Paciência, ela ficou sem o Max… E foi para a escola.

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Fim de semana quente no meio do inverno

15 jan

Não gosto de falar muito, mas até agora não vi o inverno terrível que todos falam que tem no Canadá. Tudo bem, peguei 8 graus negativos na semana passada, mas não estava nevando, então nem foi tão ruim assim.

Alguns dizem que Toronto está tão cheia de prédios e aquecedores, que a temperatura baixa não consegue se manter por muito tempo. No ano passado mesmo, disseram que não fez muito menos do 5 graus negativos e que nevou bem pouco. Tomara que este ano seja assim também!

No último fim de semana, pegamos um sábado super ensolarado e com temperatura passando dos 10 graus negativos. Para mim, já estava super calor! Fomos a um musical infantil (Disney’s Ferb and Phineas Live) no Rogers Centre e depois passeamos a pé pela Bremner Blvd, paramos no Roudhouse Park, onde tem um parquinho e uma estação antiga de trem, almoçamos perto de casa e, pronto, assim o dia passou super tranquilo e gostoso. Lugares bonitos e bem cuidados, não lotados e sem filas, muito bom!

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Vi muitas famílias com crianças no musical da Disney, todos bem animados e empolgados com o show, usando camisetas e chapéus dos personagens, comendo pipoca e tomando limonada – cena bem típica norte-americana. A gente curtiu da mesma forma, foi bem legal.

Domingo já estava mais nublado, mas deu pra ir ver a pista de patinação no gelo que montaram perto da prefeitura e depois fomos passear no Eaton Centre, que também não estava lotado e, como sempre, estava lindo.

Agora é enfrentar a semana toda de trabalho e ver o que vamos curtir no fim de semana que vem!

 

Four-wheel drive Mercedes

13 jan

Chamei uma faxineira para limpar o apartamento e testar como é o serviço aqui no Canadá. Caro eu já descobri de cara que é: 125 dólares para 2 a 4 horas de limpeza! Tudo bem que vieram duas moças, por isso acho que deram conta de tudo em pouco tempo, mas mesmo assim é um serviço de luxo por aqui.

Trouxeram tudo: produtos de limpeza, panos, rodo, sacos de lixo e até aspirador de pó. Chegaram pontualmente na hora combinada, tiraram os sapatos antes de entrar em casa e rapidamente começaram o serviço. Super educadas, de boa aparência, elogiaram minha casa, dizendo que é linda e muito bem organizada.

Perguntei para a chefe – Nicole – se ela era canadense e há quanto tempo trabalhava com limpeza, e ela disse que sim, era canadense, e que montou a própria empresa há uns dois ou três anos. Isso não é comum por aqui, pois pelo que ouvi dizer a maioria das moças que trabalha com limpeza são brasileiras e portuguesas.

Mas no fim das contas, a limpeza ficou muito boa, exceto as partes mais altas dos móveis – não sei se porque não tenho escada em casa ou se elas não limpam mesmo; da próxima vez vou perguntar. Mas fiquei bem satisfeita.

Antes de irem embora, conversamos mais um pouco, e a Nicole disse que gostaria muito de conhecer o Brasil e que está planejando ir ver a Copa do Mundo. Será? Rs

E depois, falando sobre o Canadá e coisas para fazer em Toronto, ela comentou que o fim de semana seguinte seria de sol, que deveríamos aproveitar para passear, e contou que outro dia ela ficou encalhada na neve com seu carro novo. “Eu não sabia que a minha Mercedes era ‘four-wheel drive’ e eu não consegui sair da neve!”.

Mercedes? 4×4? O que? Minha faxineira tem uma Mercedes 4X4? Ok, ok, estamos no Canadá…

Thank God, It’s Friday!

11 jan

Até que enfim a sexta-feira chegou! Tem semanas que passam tão rápido e outras que demoram… Mas acho que tem a ver com o nosso estado de espírito: se a semana é boa, ela voa, e se é difícil, vai mais lenta.

Esta semana foi, para mim, de readaptação à vida nova aqui em Toronto. Sei que com o tempo as coisas vão ficando mais fáceis e gostosas, então quero recarregar logo as energias neste final de semana para recomeçar com força total na semana que vem. Afinal, é ano novo e são vários os planos e projetos para 2013!

Ainda quero descobrir como os canadenses se divertem nos finais de semana de frio, pois ouvi de algumas pessoas que ninguém sai de casa no inverno, mas ainda duvido disso. Já vi que tem um espetáculo do Disney Channel passando num teatro aqui perto de casa, quem sabe não levo a filhota para assistir e aproveito para especular o perfil do público?!

Todo mundo fica falando que o inverno do Canadá é terrível, que a gente não vai suportar etc. Até os funcionários do aeroporto brincam, dizendo: “Welcome to our winter” ou “Enjoy our ‘warm’ Canada”, dando aquela risadinha sarcástica. Mas sempre me pergunto: se é tão insuportável assim, como quase 3 milhões de pessoas vivem em Toronto?

Vou tentar descobrir…

 

 

 

Inverno

9 jan

Toronto fica mais triste no inverno. De manhã, o sol ainda aparece tímido e as ruas parecem estar mais vazias – não sei se muita gente está de férias ou se está usando mais o PATH (caminho subterrâneo) para fugir do frio, – mas o fato é que fica tudo mais sombrio. O dia clareia só por volta das 8h da manhã e lá pelas 17h30 já está escuro outra vez. A gente acaba tendo sono cedo e muitas vezes vai dormir antes das 21h. O bom é que daí dá para acordar bem cedinho e fazer mais coisas antes de começar a trabalhar.

Eu ando pelos dois caminhos em Toronto – a rua e o PATH – e esta semana tenho sentido o peso do inverno um pouco mais forte sobre mim. Talvez porque eu tenha acabado de voltar das férias de final de ano no Brasil, onde o clima estava super quente e onde vivi momentos intensos com familiares e amigos. Daí fica estranho me ver num lugar frio, com poucas pessoas conhecidas. Fica um vazio no peito…

Mas, de qualquer forma,tenho que admitir que as pessoas em Toronto continuam muito amigáveis. Do porteiro do prédio, passando pelos vizinhos, pessoas com quem cruzo na rua, professoras da escola, todos são muito educados, solícitos e atenciosos. Não tem um dia que alguém não me ofereça ajuda para levar o carrinho da minha filha, abrir portas, segurar o elevador e outras coisas assim.

A moça que entrega o jornal 24 hrs continua na mesma esquina e todos os dias me dá bom dia e pergunta como estou. O senhor simpático de olhos azuis que passou dezembro todo pedindo dinheiro, na mesma esquina, não está mais lá… Mas a recepcionista da dental clinic que fica no prédio da escola da minha filha está, e ontem me reconheceu e me chamou para entrar, perguntou como foi minha viagem ao Brasil e mostrou, mais uma vez, os peixes do seu aquário para a Gigi.

As calçadas, apesar da neve que vai se juntando nas sarjetas, continuam lisinhas e fáceis de caminhar. As portas automáticas dos prédios continuam funcionando, os elevadores e semáforos, também. Tudo funciona perfeitamente por aqui.

Realmente, esta cidade é muito boa, tenho que admitir. Mas, como diz meu marido, se pudéssemos trazer todas as pessoas que gostamos para cá, ficaria ainda melhor.20130107_085025

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Dor

8 jan

Eu sei, minha filha não é a primeira nem será a última a chorar para ir à escola, mas precisa chorar tanto, me olhar como se estivesse dizendo: “mãe, me salva dessa situação!”? Daí a mamãe aqui, que é super manteiga derretida, chora junto e piora ainda mais a situação. As professoras, super compreensivas, me consolam dizendo que outras crianças também choram, mas que logo que os pais vão embora elas param, que eu não preciso me preocupar. Além do que – continua a professora – mais cedo ou mais tarde seu “bebê” vai crescer e terá que ir à escola por bem ou por mal, então é melhor que se acostume desde já.

Tá bom, concordo com tudo isso e sei que o melhor para ela é ficar com outras crianças, para interagir, se sociabilizar etc. etc. e tal, e eu preciso trabalhar, mas mesmo assim me sinto culpada por fazê-la chorar.  Afinal, estamos num país novo, longe dos nossos familiares e amigos, com costumes e comidas diferentes, uma língua que não é a nossa… Não é muita informação para um pequeno ser de 2 anos de idade?

Pergunto para a professora se tem outras crianças que também não falam inglês na classe dela, e ela diz que tem mais uma menina só –são 10 alunos na classe, entre 2 anos e meio e 5 –, mas que não falar inglês não é problema para as crianças, pois elas não precisam falar a mesma língua para brincar. “E, além disso, em poucos meses ela vai estar falando tudo, você vai ver, mamãe.”

Ok, a Gigi já entende um monte de coisa em inglês, percebe os gestos, canta as musiquinhas e tudo mais. Mas e a frustração de não ser compreendida? De pedir água e ninguém a entender, de pedir colo e inguém a ouvir? Ai, meu docinho de coco, será que tudo isso vai realmente fazer de você um adulto melhor?

E assim tiro minha filhota dos meus braços, ela se agarra nos meus cabelos e emplora para eu não deixá-la, mas eu sou forte e saio, chorando baixinho e já enxugando as lágrimas para que niguém lá fora perceba minha dor.